Caso Marielle: Ministério Público afirma que porteiro mentiu em depoimento


Marielle Franco e Anderson Gomes, assassinados em março de 2018

A procuradora do Ministério Público Simone Sibilio, chefe do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), afirmou que o porteiro do condomínio que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro na morte da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes mentiu em depoimento à Polícia Civil.

“(O porteiro) Mentiu. Pode ser por vários motivos. E esses motivos serão apurados. O fato é que as ligações comprovam que quem autorizou foi Ronnie Lessa”, afirmou Simone Sibilio.

Reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo informou que o porteiro teria dito à polícia que horas antes do homicídio de Marielle e Anderson, Élcio de Queiroz, suposto motorista do carro usado na data do assassinato, entrou no condomínio onde Ronnie Lessa, suposto assassino, mora. Élcio, no entanto, não teria ido para a casa do presidente e sim para a casa de Lessa, segundo depoimento do porteiro.

O porteiro, que ainda não teve a identidade revelada, teria informado ao “Seu Jair” sobre o desvio de rota, e ele, ainda de acordo com o porteiro, teria dito que não havia problema.

‘O porteiro mentiu’

De acordo com a procuradora, quem autorizou a entrada de Élcio de Queiroz no condomínio em que Jair Bolsonaro tem uma casa foi Ronnie Lessa, suspeito de ter efetuado os disparos que mataram Marielle e Anderson em 14 março de 2018.

O áudio do interfone do condomínio foi cruzado com outro áudio de Lessa pelo Ministério Público, a fim de comprovar que aquela era sua voz. Além disso, o horário batia com o que constava na planilha de entrada no Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio.

“Todas as pessoas que prestam falsos testemunhos podem ser processadas”, disse Sibilio. “Se ele esqueceu, se ele mentiu… qualquer coisa pode ter acontecido. Ele pode esclarecer. Simples assim.”

Segundo as investigações, foram prestados dois depoimentos. No primeiro, foi relatado que ele ligou para a casa de Bolsonaro. No segundo, confrontado com o áudio da conversa, o porteiro manteve a versão, mas deixou dúvidas em relação à veracidade das informações prestadas.

Com informações do Estadão Conteúd